A REUNIÃO”’

Continuação do post de 03/10/2016. Original revisado e editado.

Rio de Janeiro, 28 de junho de 2016.

Quarta.

Amanheceu. Sol e céu azul. Um frio de rachar. Fui ao lago, meditei um pouco, mas minha concentração era sofrível. Precisava ordenar meu pensamento e me organizar internamente. Era dia de reunião do Grupo – A Reunião – e mesmo sem ter a responsabilidade de fazer a exposição, li e reli o material durante a noite e repassei mentalmente os pontos mais críticos sobre o encaminhamento que proporíamos frente aos acontecimentos mais recentes e que inequivocamente nos indicavam a proximidade e a urgência de tudo.

Tomei café com Alex. Ao sair para o estágio na fazenda vizinha disse: “Hoje irei à reunião com vocês”. Não pediu, apenas comunicou. Eu mal tive tempo de responder e ele já tinha, propositalmente, saído. Viver com Luiz e Alex era exercitar a frustração das palavras mortas na garganta. Só respondiam o que – e quando – queriam. Aquela decisão estava relacionada ao acontecido domingo à noite na cidade. Não havia dúvida, seria muito bom que Alex estivesse presente. Rebeca e Miguel iriam à reunião também: os três certamente haviam compartilhado impressões sobre o ocorrido e estariam juntos.

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Final de tarde, eu e Luiz descemos a estrada em direção à cidade. Alex avisara que nos encontraria no Salão da Casa de Cultura – local d’A Reunião. Cogitáramos organizar nossas reuniões no salão paroquial e o padre Antonio nunca se opusera, mas acabamos por concluir que não queríamos estar num templo. Era apenas uma questão simbólica, sabíamos, mas mantivemos a prerrogativa de não transformar nossos encontros em cultos, missas, liturgia. O exercício religioso era assunto particular de cada um. Nossos encontros tinham outro objetivo.

Éramos 13: teosofistas, rosa-cruzes, espíritas, católicos, budistas. Nosso querido amigo Simão – evangélico – não nos acompanhava, mas, é certo, compartilhava de nossas preocupações. Sempre que eu o encontrava, dava um jeitinho de atualizá-lo sem mencionar aquelas palavras ‘proibidas’, tão usadas pelos espiritualistas. Simão era um irmão. Assim o tratávamos e ele, a nós. Separavam-nos a insuficiência das palavras e os artefatos e exterioridades da fé, mas estávamos unidos em nosso Amor pelo bem comum e pela justiça. O que poderia ser mais importante?

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Ao adentrarmos o salão, lá já estavam Alex, Rebeca, Luiza e Miguel. Sentados na última fileira de cadeiras, fomos até eles. Cumprimentamo-nos e pedi que Luiz, Alex e Miguel me ajudassem a arrumar, ao redor da mesa em cima do palco, duas fileiras de cadeiras. Luiz, irreverente, brincou: “Humm, será uma reunião de “capos” da Máfia?”, menção às cadeiras postas por detrás dos grandes chefes para que seus “consiglieri” pudessem assessorá-los. Não pude deixar de rir; Luiz revê comigo os filmes antigos que eu adoro e que “sei” praticamente de cor. Volta e meia faz um comentário a me provocar; aprecio sua acidez e ironia, devo admitir.

Esta noite estariam na reunião mais do que os treze membros do Grupo e eu queria que todos estivessem à mesa, sem distanciamento ou distinção que impedisse qualquer dos presentes de se manifestar. Aquele definitivamente não era momento de “purismos” ou de privilégios. Quem quer que comparecesse à reunião daquela noite teria voz. Alguns dos membros manifestaram resistência a esta proposta na reunião anterior, mas felizmente a maioria concordou com uma reunião sem formalismos e sem exclusões. Eu particularmente não acreditava que haveria um debate. Pelo teor da reunião seria uma exposição e as pessoas precisariam de algum tempo para “mastigar” e elaborar a mensagem. Com exceção de Rebeca, Alex e Miguel, “convidados” no domingo à noite, os demais tinham sido convidados na quinta-feira anterior. Simão foi o único a recusar o convite, mas eu conversaria com ele sobre a reunião daquela noite. Não o deixaria de fora; sabia do enorme desconforto que seu comparecimento causaria aos seus companheiros de fé e compreendia sua recusa em comparecer. Ele faria então o que considerasse apropriado com o que eu lhe revelasse.

E continua.

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A REUNIÃO

A REUNIÃO’

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