A REUNIÃO”

Continuação do post de 02/10/2016. Original revisado e editado.

Rio de Janeiro, 28 de junho de 2016.

Terça.

Rebeca aceitou o convite de Alex para a pré-estreia da semana no único cinema da cidade. O rapaz não cabia em si com a alegria que o aceite pôs no seu dia e saiu ansioso, tendo que voltar para buscar a carteira, e depois, de novo, para um casaco e os ingressos que ganhara na Escola.

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Rebeca o ocupava inteiramente – pensamento, sentimento, sensação – e sua maturidade o encantava e deixava inseguro ao mesmo tempo. Distraído e ansioso. A garota era um desafio irresistível, agora agravado e amplificado pela presença de Miguel. Creditava aos dons do amigo uma vantagem insuperável na batalha pelo amor da garota. Acreditava que Rebeca veria em Miguel qualidades que ele, Alex, nunca teria e que isto seria decisivo em sua escolha. Uns dias antes conversei com ele a respeito e tentei fazê-lo ver que Rebeca não seria “seduzida” por este ou por aquele distintivo em qualquer dos dois, que não havia como prever ou compreender o que determina uma escolha dessa natureza, senão o que passa pela individualidade forjada em nossas jornadas e aquilo que sabemos sem nem mesmo saber, tão íntima e profunda é a arena onde esta escolha ocorre. E que, portanto, o importante era que ele agisse naturalmente, já que nem ele nem Miguel decidiriam por ela. Impossível tranquilizá-lo, claro!

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Luiz ficava, coisa de “pai”, orgulhoso de o garoto mostrar-se ávido por uma relação mais séria – e quem sabe, carnal – com a garota. Não o incentivava em respeito a ela – a tinha em alta conta como eu – mas torcia para que Alex a conquistasse em definitivo e tirasse Miguel do páreo. Eu o entendia perfeitamente. Luiz, e eu também, voltava ao passado quando observava os três jovens enredados em sua juvenil descoberta do amor. Nada dizia. Há muito não falávamos sobre aqueles tempos. Pedro ficara na cidade ao voltar do “exílio”. Nós havíamos partido. Luiz sabia – mas não sabia que eu sabia que ele sabia – de cada passo de Pedro nos últimos 15 anos. Monitorava o amigo. Silenciara. Nunca mais faláramos a respeito de Pedro e nem de seu destino. Eu me perguntava, diante do que viria, até quando manteria o silêncio.

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E continua.

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A REUNIÃO

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