A REUNIÃO’

Continuação do post de 30/09/2016. Original revisado e editado.

Rio de Janeiro, 28 de junho de 2016.

Segunda.

Amanhecêramos envoltos em neblina espessa e cinza. Adorava o quadro, mas estava muito frio. A esquisitice climática era agora rotina. Fui ao quarto falar com Alex e ele já não estava. Às cinco e meia da manhã? Procurei por ele, a chave do carro também não estava ao lado da porta, lugar usual. Luiz dormia ainda.

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Fui até o lago para a minha saudação ao sol, hoje absolutamente escondido. Sentei na minha pedra e tirei os sapatos. Gelada e desperta fiquei por ali. O momento era de muita atividade mental e eu precisava respirar e pensar sem muita interferência. Meus dois meninos me consumiam, pediam atenção contínua e resposta sempre imediata. Os amava, mas precisava desse momento diário para poder dar conta dos garotos.

Uma hora depois, baterias recarregadas, tomei meu café, publiquei meus textos, corrigi algumas provas e li as mensagens da noite e madrugada. Lidos os jornais, cuidei de minhas plantas. Rotina. Lá pelas nove horas, fui até a estufa e liguei para Rebeca. A garota era bonita e esperta. Precisei de habilidade para descobrir o que se passara no dia anterior. Esclarecidos os fatos, agradeci e nos despedimos. A mulher que despontava por debaixo das tranças ruivas trazia certa maturidade que, àquela altura, devia estar dando nós na jovialidade e imaturidade de Alex e Miguel. Anos luz à frente dos rapazes, os levava perto sem os deixar dominá-la e mantinha os dois na expectativa e ansiosos por definições. Cedo ainda; Rebeca sondava o terreno e aferia o comprometimento e seriedade dos garotos. Eles não levariam o prêmio facilmente. Ponto para a garota a quem sempre admirei. A cada vez que olhava para ela, voltava àquela minha “gaveta” e fazia uma pequena prece: “não os deixe se machucarem”.

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O dia transcorreu sem maiores sobressaltos. Apenas a vida passando, a rotina imperando.

Luzia, uma amiga, me ligou à tarde para relatar o que acontecera na cidade. Rebeca havia me contado, mas deixei transparecer surpresa ao conversarmos. Não quis frustrá-la por não me dar as notícias em primeira mão. Luzia vivia sozinha desde o falecimento de Carlos, seu marido, e eu fazia questão de ouvi-la e dar-lhe atenção para mantê-la confortável em sua viuvez precoce. Carlos partira cedo. Alma boa. Fez Luzia feliz e mesmo doente sempre cuidou para que ela não sofresse com seu estado; preparou-a para sua partida com muito Amor.

Seus comentários coincidiam com a visão de Rebeca sobre o ocorrido. Luzia é das pessoas mais observadoras que conheço; sua percepção nem sempre é isenta mas capta todos os detalhes e vai fundo na “pesquisa” de fatos e relações. Ponto para a perspicácia da jovem. A se confirmar na reunião do Grupo no dia seguinte.

À tardinha Luiz e Alex reuniram-se em frente à TV para assistir aos jogos. Estavam relaxados e felizes; ali permaneceram até o fim da noite. Fiquei de minha poltrona observando os dois e a aura daquela amizade real, profunda. Como eu gostaria que fosse sempre assim: dois garotos em seus folguedos! Sem atritos e sem amuos. Bem sabia eu, apenas um doce, e temporário, armistício.

E continua.

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A REUNIÃO

 

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