Angústia da Perfeição

Angústia da perfeição

“Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermediários?”
“Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. (…)”
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – Questão 192


Alma querida nos ideais renovadores é natural que sofra inquietação por nutrir objetivos transformadores.

Ante a penúria de seus valores, você se declara sem mérito para receber a ajuda Divina. Perante a extensão de suas falhas, açoita a consciência com lancinante sentimento de hipocrisia ao repetir os mesmos desvios, os quais já gostaria de não se permitir. Essa é a estrada da perfeição, não se martirize.

Tudo isso é compreensível, parte integrante de quantos se candidatam aos serviços reeducativos de si mesmos, portanto, não seja demasiadamente severo consigo mesmo.

Sem lástima e censura, perdoe-se e prossiga sempre.

Confie e trabalhe cada vez mais.

Por mais causticantes as reações íntimas nos refolhos conscienciais, guarde-se na oração e na confiança e enriqueça sua fé nas pequenas vitórias.

A angústia da melhora é impulso para a promoção. O remédio salutar para amenizá-la é a aceitação incondicional de si mesmo.

Aceitando-se humildemente como é e fazendo o melhor que possa, você se vitalizará com mais fortes apelos interiores para a continuidade do projeto de melhoria e corrigenda. Por outro lado, se você se pune estará assinando um decreto de desamor contra si mesmo.

Afeiçoe-se com devotamento e sensatez aos exercícios que são delegados por tarefas renovadoras do bem, aprimorando-se em regime de vigilância e paciência.

Sem alimentar fantasias de saltos evolutivos, dê um passo atrás do outro.

Sem ansiar pela grandeza das estrelas, ame-se na condição de singelo pirilampo que se esforça por fazer luz na noite escura.

Faça as pazes com suas imperfeições. Descubra suas qualidades, acredite nelas e coloque-as a serviço de suas metas de crescimento, essa é a fórmula da verdadeira transformação.

O tempo concederá valor e experiência a seus esforços, ajustando seus propósitos aos limites de suas possibilidades, libertando-­te da angústia que provém dos excessos.

Caminhe um dia após o outro na certeza de que Deus te espera sempre com irrestrito respeito por suas mazelas, guardando o único direito de um Pai zeloso e bom, que é a esperança de que amanhã você seja melhor que hoje, para sua própria felicidade.


Ermance Dufaux


REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO
Autotransformação com leveza e esperança
Ermance Dufaux
Psicografado por Wanderley Soares de Oliveira
33ª Edição (2012)
Editora DUFAUX
Belo Horizonte – MG
http://www.ermance.com.br

Self.

É o arquétipo da totalidade, isto é, tendência existente no inconsciente de todo ser humano à busca do máximo de si mesmo e ao encontro com Deus. É o centro organizador da psiquê. É o centro do aparelho psíquico, englobando o consciente e o inconsciente. Como arquétipo, se apresenta nos sonhos, mitos e contos de fadas como uma personalidade superior, como um rei, um salvador ou um redentor. É uma dimensão da qual o ego evolui e se constitui. O Self é o arquétipo central da ordem, da organização. São numerosos os símbolos oníricos do Self, a maioria deles aparecendo como figura central no sonho.

Sombra.

Representa o que não sabemos ou negamos a respeito de nós mesmos. A sombra é o arquétipo que representa os aspectos obscuros da personalidade e desconhecidos da consciência e que estão mais acessíveis ao ego. Normalmente temos resistência em reconhecer e integrar a nossa sombra, o que nos leva inconscientemente às projeções. Essa integração é geralmente feita com relativo esforço moral. A sombra representa o que consideramos mal e não nos damos conta de que nos pertence, fazendo parte de nós tanto quanto o bem. A sombra contém o bem e o mal desconhecidos ou negados em nós, ou que não foram conscientizados. Portanto, é acertado dizer-se que a sombra contém também qualidades boas. Ela dá lugar à persona por uma necessidade de adaptação social. Sua exposição torna o indivíduo inadequado e inviabiliza sua convivência harmônica. Nos sonhos, a sombra costuma aparecer como personagens do mesmo sexo do sonhador, muitas vezes em atitudes aversivas ou como alguém conhecido e antipatizado por ele. Temos uma tendência a projetar as características pessoais da sombra nos outros, considerando-os moralmente inferiores. Reconhecer a própria sombra é um grande passo no processo de individuação. A sombra se opõe à persona e ambas se relacionam num regime mútuo de compensação.


Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de.
In Mito Pessoal e Destino Humano. Salvador: Fundação Lar Harmonia, 11/2005
256p.

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