O Mar interior

Re[a]mando

[Re]tocando

[Re]buscando

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Tão bonito e tão provocante. Um grito, um sussurro pulsante, vulcânico. Um convite. Um aceite.

Sonhos. Não os recordo com frequência. Meu sono é profundo, mesmo – e principalmente – quando curto. Minha viagem, profícua e compensadora. Eis que me basta saber isso, creio, vez que é raro recordar o que se passa. Não recorro a expedientes para reter ou lembrar; deixo que meus filtros soberanamente pontifiquem. Construir pontes é ofício, é habilidade, precisa buril e formão para habitar – morar e costumar – o ser e o Ser. Deixo que o que aprendi conduza o espetáculo. No entanto, viagens há que de tão reais – todas são, sei – me deixam na pele o arrepio, no rosto o calor. Destas é difícil, então, ao contrário, esquecer. E corro a registrar. Esta sei de onde vem o pulsar e por isso recordo como fora um toque em meu rosto, um sopro tépido…

Madrugada ainda; luz difusa, névoa. Retrato em branco-gelo e preto. Chego ao Cais. Carcomido. Secular, milenar talvez. Range sob meus pés, manchado do sal: à beira-mar. Empenado, desigual, cinza-esverdeado é como o sinto; não “vejo” cores. Bate no meu rosto a brisa fria do mar invernal; maresia que gruda no corpo.

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Até onde a vista alcança, uma infindável faixa de areia branca à minha esquerda recepciona ondas que batem, espumantes, devorando e escavando a beira, criando abismos e valas traiçoeiras que advinho apenas; areia, conchas, sal. Não chego perto. Observo do cais quem se atreve e “perde o pé” a cinco metros da areia. A bruma molhada das ondas que quebram me deixa apenas entrever as tantas submersões e afogamentos; me angustia o quadro mas não me movo. Sei que quando caí por ali – me afoguei naquelas águas sem que houvesse resgate – havia observadores imóveis, como eu agora.

Sonhar é viver e reviver. Rememorar. Terei eu me afogado antes? Não carrego na vigília senão muito respeito pelas águas, mas não há medo… De onde vem a lembrança do afogar-me sem socorro? E do Mar como estrada e Porto para quem [re]torna?

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Do Cais, segura, olho para o horizonte e, frente ao Mar, vejo apenas o espelho d’água e a “borda”, longe, de onde emerge o Sol. Quando os primeiros raios batem no meu rosto e aquecem minha pele, um longo suspirar parece me fazer despertar da paralisia e da contemplação. Saúdo finalmente o Sol. Há um gestual que apenas advinho, uma prática antiga e natural como respirar mas que não realizo em vigília. Tanto, certamente, que trago de existência milenar. Tanto de tantos lugares, escolas, afetos, dores. Tanto que não sei que sei. Tanto que todos sabemos e, no entanto, esquecemos.

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Já desperta e em pé, alguns flashes reúnem-se a estas lembranças resgatadas ao abrir dos olhos… Busco a roupa para o dia e percebo um vestido “verde água” – cores são referências? – e sandálias que mantém pés desnudos e revelam rosas mouriscas. Há um crescente lunar – ou uma adaga curva – pendurada em meu pescoço. Vou às minhas caixas e visto uma peça que tenho, há muitos anos, exatamente como no sonho. Ah, será daí vestí-la com tanto gosto? Belo colar…

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Da porta me despeço e à minha esquerda, barcos e velas brancas. E se há velas, porque há remos? E em havendo, ao bater a porta saindo para o dia, que enseadas busco? E “o que” me traz a Vela que tremulando ao vento, negra, chega por detrás da arrebentação, do Norte? Calor?

Sonho sonhos e, pacificada, os reconheço âncoras, portos, abrigos, luz. Zarpo e o Vento – Zéfiro desejo – me leva. Serei Sereia só devaneio? Resgate da Vida? [Re]encontro?

Amo, toco e busco. Sem cessar e à espera de atracar.

fotorrosa

Sonho? Quer despontar, ansiosa, a Primavera em meu coração! A tudo tomou, todos os espaços ocupou. Que ela venha das mãos que anseio e que me traga rosas.

Dê-me de tuas mãos!

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2 comentários sobre “O Mar interior

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