Gratidão: quase um conto!

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Há exatos 70 dias – cancerianos são mesmo assim, atentos e sensíveis a Cronos – eu abria as portas da minha casa, do meu Sapê. De início uma casa para o lazer, momentos de retiro. Quase um ritual de passagem, quem sabe adentrar a vida adulta, sair da barra da saia de mamãe e não mais pedir permissão ao papai para um cinema durante a semana…

Interessante escrever sobre isso, já que na vida de todo dia nunca fui de barra de saia nem de permissões. Nunca as exercitei muito! E não as exercito ainda.  🙂  Apenas metáforas a indicar um movimento de distinção, de diferenciação e de autonomia.

Não foi inconsciente mas obedecia a um ritmo próprio, a um ritmo meu: banho-maria, fogo baixo para exasperação dos sanguíneos, atívissimos e muito amados amigos que me apoiavam e incentivavam então. Um tanto descrentes é certo, mas nunca pude – e não me desculpo por isso – dar de mim o que não tenho ou não sou… Sofreram, e sofrem, comigo; mas indubitavelmente COMIGO.

No desenrolar dos dias, me refugiei por aqui, ainda sem deixar a Casa, o berço de que nasci e em que me criei. A separação, lenta, acontecia à medida de minhas insatisfações – próprias de quem cresce – e da desilusão com a crueza que estofa a vida, da secura que o humano nos faz ter que encarar: os “feios, sujos e malvados”. [Metáforas, sempre, por favor!!!]

Tímida e resistentemente, preparei alguns quadros e pendurei-os nas paredes, trouxe alguns objetos de Casa – preciso ainda do aconchego do afetos, do cobertor de criança: quando vou crescer de vez, cáspite ???? e prossegui exercitando um pouco de pintura, bricolagem, marcenaria e costura. Fui decorando minha “casa na árvore”. Quando muito árido e confuso em Casa, corria até aqui e na silenciosa cabana chamada minha, mergulhava na apreciação das minhas caixinhas e envelopes, fitas e até sacos de guardar confete – êta música linda e triste…

Há dois meses, de encontro e à revelia de minha vontade, mudei-me definitivamente. Ainda em obras, ainda em arrumação, trouxe comigo o luto, a dor da separação e uma ennorrmme tristeza. Já não era meu Sapê um refúgio. Já não mais minha “casa da árvore”. Agora habitaria aqui. As primeiras noites foram assustadoras. Aprecio a solidão voluntária. Mas a solidão que se impõe à força impregna de saudade e de tristeza a mudança. Esta pesa. Esta faz verter lágrimas pelo desconforto do desconhecido. Fez frio por aqui em Março!!!

Não imaginei conseguir falar sobre minha “passagem” tão cedo. Me surpreendo por ter mencionado, já, este que é ainda um evento em processamento. Um rito de passagem de profundo impacto, difícil de mastigar, mais ainda de engolir… Mas eis que foi bom escrever um pouco, ainda que superficialmente, a respeito. E porque? os leitores talvez perguntem. Simples. Este relato ajuda a compreender o mote deste post.

Sim, porque o post não é sobre minha mudança. Nem sobre estar ainda em obras meu Sapê. Nem sobre o que plantarei no meu jardim e no meu pomar – ainda por decidir com meu Rei.

Putz Anna, meia página e ainda não chegamos lá?  Não.

Este blog é também meu “caderno de caligrafia”. [Meus sobrinhos não conhecem meia dúzia de expressões que usei aqui !!! :-)]  Exercito aqui o fluir e a concatenação das palavras. Gosto de escrever e quero fazer isso bem um dia. Mas preciso exercitar.

Aos leitores impacientes e que apreciam a rapidez e a fluidez, há coisas bacanas em muitos blogs – e aqui também – bem mais curtinhas.  Fiquem à vontade para desistirem…  Não me zango nem chateio.

Voltando…

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Este post é sobre Gratidão.

É um post-agradecimento.

Muitas e muitas palavras depois, podem acreditar, chego até aqui SEM PALAVRAS.


Sem palavras porque as lágrimas as afogam. Sem palavras porque meu coração bate alto e as cala no peito. Sem palavras porque não posso nominar – e como eu gostaria de fazê-lo !!!

AGRADEÇO com meu coração em minhas mãos a TODOS os que nas últimas semanas tem vindo à minha Cabana e tem me prestigiado com a sua presença, e mais importante, com sua atenção.

Tanta gente bacana tem passado por aqui!!! E tem deixado seu alô, seu “bonito!”, seu incentivo. Tudo tão afetuoso!!  A estes posso e tento dar um alô de volta, visito suas chácaras, me felicito por os poder ler. Blogs valiosos, cheios de luz e de cor. O cuidado, o Amor dedicado à construção, o respeito pelo visitante chegam a ser palpáveis… Exemplos a que me pego atenta na tentativa de melhorar sempre. MUITO OBRIGADA pelas visitas, todas e sempre. Elas me contentam e me acarinham (essa palavra existe?).

Grata por receber esta enorme carga de atenção e de carinho. Não esquecerei. É ela a injeção de ânimo e o afago que me mantém exercitando e produzindo meu artesanato, que tem suavizado meus dias, que tem acalentado a minha alma. OBRIGADA!

Deixo também um afetuoso OBRIGADA aos anônimos que visitam o blog e não deixam registro de sua passagem. Sei que estiveram aqui e só. Uma pena. Vão sem um café, sem trocar palavras. Gosto de conversar.

Este post, então, é sobre GRATIDÃO. Pensando nela me lembrei e deixo para os visitantes amigos homenageados mensagem sobre este sentimento vital e visceral.

Que não me falte força para persegui-la e exercita-la!

Bom fim de semana!!! Obrigada!

 

Gratidão e Trabalho

“Todo crescimento pessoal de natureza cultural, moral e espiritual deságua inevitavelmente no sentimento da gratidão, da oferta, da participação no conjunto,
tornando-se o indivíduo igualmente útil e
valioso.

A gratidão individual é uma nota harmônica a contribuir para a sinfonia universal, ampliando-se e tornando-se um sentimento coletivo que proporciona o equilíbrio social e espiritual da humanidade.

Ademais, ninguém consegue vincular-se a um ideal de engrandecimento pessoal e humanitário sem arrastar outros pela emoção do seu exemplo e da sua bondade para as fileiras da sua trajetória.

O sentimento da gratidão tem natureza psicológica e de imediato aciona o gatilho, sendo transformada em emoção e sensação orgânica.

Quando se experimenta o sabor da gratidão, aumenta-se o desejo de mais servir e melhor contribuir em favor do grupo social em que cada qual se encontra e da humanidade em geral. É inevitável, portanto, a presença da gratidão no cerne das vidas humanas.”

De Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco.
Livro: Psicologia da Gratidão

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3 comentários sobre “Gratidão: quase um conto!

    1. Chronos generoso.

      O inverno tem povoado meu pensamento obsessivamente. Vivaldi personifica, acho, este momento. Transição. Boa Música. Revolve o íntimo.

      Gostaria de dar ao blog um tema, mas ele tem sido – involuntária mas felizmente – meu “querido diário”. Aquele que nunca tive quando adolescente e moça. Diários e agendas, não os fiz. Fotos, raras. Registros d’alma e do coração ficaram na memória.

      E agora estes registros me têm sido tão valiosos! Trazem até minha sala afeto, atenção e respeito à minha criação. Volto a eles e agradeço por os ter comigo.

      Por isso, o agradecimento é meu. Pelo cotidiano suavizado. Pelas manhãs musicais. E pela palavra íntegra, sem excessos, sem mimetismo.

      Venha sempre que te agrade. Um abraço.

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  1. Sinto-me abençoado por estar aqui, me acalmo, tem uma energia que flui muito forte, coisa boa, que agrega valores, dá visão, correção. Ando cansado, confesso que muitas vezes em desânimo, mas meu pai me fez guerreiro daqueles que rasgam a carne e se ferem, mas não desistem em batalhas e quando as vencem não festeja junto a aldeia, apenas ao longe observa e espera sua próxima batalha.
    Encontrar repousos assim aliviam nossa carga, e nos mantem no prumo da benevolência. Gratidão Anna! ❤

    Curtido por 1 pessoa

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