Divagando…

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So…

Eis que então decidi encarar a “produção independente”. Mas nem me atrevi a escrever a respeito. Sim, deixei manifesto que este é um blog despretensioso – e é; não carrego bandeiras neste espaço – e que se pretende acolhedor. Meu sapê, como eu costumo chamá-lo. Mas não foi, nem de longe, um relato dos prazeres e das dores de sua fecundação, germinação e nascimento. Ainda não me sinto capaz de falar a respeito. Quem sabe um dia… Talvez, se ele chegar a florir e frutificar.

De tudo que se viu por aqui, 90% eu havia escrito ou criado, ainda que mentalmente, antes. Este é o meu processo. Do mental para o teclado, antes ou na hora. Inéditos, os recentes e os daqui em diante. Quando a quantidade de caracteres aumentar – se aumentar – talvez eu precise de outro método. Por ora, funciono assim.

Logo, estava tranquila até que visitando minha antiga “casa”, fonte de informação e opiniões que reputo balizadas, me deparei com um lembrete sobre minha 1a. “efeméride” 🙂 : uma “mordida” neste dia 08 de março.

Dia Internacional da Mulher. Nossa! Quanta pompa! Li coisas aqui e ali; de umas sabia, de outras sequer desconfiava, mas agregar neste tópico é difícil. As feministas, os cientistas sociais, os humanistas, filósofos e mesmos os bardos e menestréis tem, todos, um tanto a dizer a respeito.

Eu, já nem tanto. Por isso, divago.

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Nada novo, de fato. Sei das dificuldades –  e sinto na pele – por que passamos todas nós, em todos os nós da existência. A sociedade, seus modelos, seus encaixes e seus pilares de poder – estado,  igrejas, corporações, para ficar na esfera institucional – tem planos para nós desde sempre. Já fomos (?) moeda, mercadoria, objeto, posse, troféu, o sal, o demônio, o entrave e até o castigo. E pagamos alto. Hoje, “nosso dia”, haverá então uma profusa manifestação que dissecará, prognosticará e apontará as ações e soluções para que não voltemos (?) a ser atingidas nem manietadas. Afinal, nós somos a Humanidade também! Todos sabem disso. Inclusive as outras mulheres.

De antemão, ressalvo as manifestações dos poetas: nelas cabem somente o que temos de melhor. E que bom! Brisa fresca a nos aliviar os julgamentos e peias. Tivera eu poder, estabeleceria a “Lei da Musa”: uma poesia no café, uma no almoço e à noite, versos e outros mimos, o que fosse de nossa vontade. Sim, sim. Eu sei, para algumas já é assim. Afortunadas e vanguardistas!!!  🙂

Vou fazendo as conexões e sinapses e uma coisa leva a uma outra… Mencionei a Musa, mas não falarei de Erato e sua pequena lira, domínio de Bardos de alta estirpe. Seria adentrar, aí sim, terreno totalmente desconhecido e que não domino.

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Mas podemos, e devemos, falar das Cárites, das Moiras e das Eríneas. Acredito que com isso poderemos, de alguma forma, acrescentar a este 08 de março sabor e aroma mitológicos que nos farão refletir, um pouco mais arquetipicamente, sobre nós e as mulheres conosco.

Os descritivos, cosmogonia, cosmologia, significados estão fartamente distribuídos no meio digital.  Basta ir à rede para saber quem e como são, e mais importante, o que representam estas figuras femininas. Não vou por aí.

Vou por aqui:

Civilidade, Destino e Castigo.

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Neste dia, já iniciado com singelas e doces homenagens, vislumbro a agitação dos dias que correm impondo seu ritmo, demandando atenção, empanando o momento. Há uma névoa densa sobre nós e, ao nos envolver, nubla o dia, a corte, o sorriso.

Do que vive em mim de Tália, Láquesis e Alecto, rendo eu homenagens aos que, parceiros, suavizam a marcha, facilitam o convívio, admiram o florescer. Aos que solidários, engolem com as suas as nossas mãos, caminhando junto, estando ao lado, construindo e partilhando o ininterrupto devir, róseo ou plúmbeo. Àqueles que suportam a irritação, o inconformado lamento e o silente – e exasperante – protesto.

Este dia seria apenas uma protocolar demonstração de Civilidade, Destino e Castigo a ilustrar – e bem – a História e Trajetória das Mulheres nesta civilização que conhecemos e reputamos nossa, não fora a presença dos Homens e seu papel, nada protocolar, em nossa História e Trajetória individuais. Sim, sabemos, há os misóginos, os agressores, os estupradores – de dignidades mais do que de corpos -, os cafajestes e pusilânimes. Estes deixam por certo marcas, cicatrizes, um bocado de dor. Justo que nossa atenção não esteja neles. Justo e salutar que nossa atenção, hoje mas não somente, esteja nos que, ombro a ombro, nos acompanham, repartem conosco o pão e os dias. Que caminham com as facetas múltiplas dessa enorme complexidade. Tal como fazemos nós. E é tão bom que seja assim.

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Neste dia 08 de março, minha homenagem aos que, caminhando comigo, generosos, mantiveram sãs e amalgamadas todas essas, tantas, múltiplas, facetadas e imperfeitas. Pois que somente deste lodo seria possível a Flor de Lótus ou, de tanto desejo, Erato. Somente deste asfalto, a Rosa. Do pântano, o Lírio. Do bulbo, a tulipa. Do jardineiro.

Neste dia, então, flores para Ele. De todas nós!

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https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7as

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Moiras

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Er%C3%ADnias

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2010/12/as-carites-ou-gracas-eram-musas-do.html?m=1

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2010/07/as-moiras.html?m=1

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2010/07/erinias-ou-furias.html?m=1

2 comentários sobre “Divagando…

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