Despedida

Da extinta série: o significado das palavras

Despedida.

s.f. Ação de despedir.
Saudação no momento em que pessoas se separam. Ato de mandar embora, de dispensar um empregado.

Sinônimos de Despedida
Despedida é sinônimo de: acabamento,
adeus, apartado, conclusão, fim,
saudação e termo.


Não! Não há mesmo! Sondei, vasculhei e abri muitas gavetas. Despedida é, sem sombra de dúvida, a palavra que não suporto. E olha que eu as amo! As cultivo. Preciso delas. Mas esta…

Injustiça? Há outras de menor e menos estético valor fonético. Aquelas cuja grafia é difícil. Cheias de intrincados ‘esses’ duplicados, “zes” que nos enganam, acentos “esquizoides” e inoportunos. Mas, semanticamente, não há em meu vocabulário nada que se assemelhe.

Não é um estranhamento, pouca familiaridade ou “medo do desconhecido”. Já no útero de minha mãe, me despedia. Ao nascer, a separação do morno aquoso que me envolvia como um abraço. Separei-me de minha primeira penugem, de meu mutismo, de meus dentes de leite. Do colo, das fraldas. De todo o tempo a brincar, das “tias”, das séries, cadernos e livros… Todos os dias, a cada momento, espaços novos se formando e sendo ocupados.

“Ué? Mas do jeito que você fala, parece bom!”.  E é. O lado bom. A mudança ininterrupta e ascendente. O fluir do rio dos filósofos. O devir dos espiritualistas. A Sansara em que estamos imersos e que gira para nos fazer ajustar, reparar, reencontrar para amar.

Mas essa … Ah, essa que não tolero é a que dói. A que despedaça a carne. Dilacera o peito. Tira o ar. É possível afogar no seco? Claro! Encare de frente uma despedida e depois me diga. Se você não esteve impedido de respirar. Se na boca, nada além do amargo fel; na língua e nas palavras.  Se no teu rosto, os músculos se apagaram e morreram ao dar passagem às lágrimas.

Como pode haver qualquer coisa sob este vasto – e hoje tão impiedoso – céu que floresça, que iridescente possa colorir, matizar, musicar um cisco, uma pétala, risos e promessas?  Não pode. Só há, no Império da Despedida, a ausência de cor, de sal e de mar. Na língua só a aspereza e a cica da fruta passada e tóxica; a farpa na mão esmagada; a dor no músculo distendido. Não, não o coração. Este atrofiou, encolheu, quedou inerme. Bate agora somente no pescoço, a manter a vida em suspense, a ver se ela volta.

A Vida ainda não me concedeu esse bálsamo. Te peço: não me presenteie, Magnífica, com a longevidade. Estar por aqui com a presença da ausência é uma dor aguda, dilacerante. Merece solução rápida antes que se torne crônica.

http://www.dicio.com.br/despedida/

Links & Vídeos:

http://www.gilbertogodoy.com.br/ler-post/conto-zen–o-apego

http://www.gilbertogodoy.com.br/ler-post/el-mundo—eduardo-galeano

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