AMIGOS EM JORNADA

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Momentos há nesta Vida em que somos postos diante de nossos múltiplos e Ela nos pergunta: “Eis que o que vês é, à vera, tua construção. É o porto a que pretendias chegar? Atracarias aqui durante uma tempestade?”

Em nossa miopia, sabida e reconhecida, relutamos em responder. Errar nesta ponderação é talvez perpetuar o que se pretende modificar. Silentes, recolhidos e imobilizados pela fúria da intempérie, não nos atrevemos a afirmar nada. Nossa vontade, músculos e respiração são colocados no sobreviver, no resistir e no recompor.

A despeito da dor, e em reafirmação a ela, corpo e mente mantém-se em dinâmica imobilidade. Descenso trazendo mais que as lágrimas, os efeitos, os sintomas, a paga pelo erro: Soma sob os efeitos da Consciência.

Imóveis, miseráveis, descrentes de tudo, sobrevem um soluço, um afogar-se no choque.

Ah, aquele menino na praia… Aylan. Penso nele. Não, não me “sinto” ele. Penso porque percebo a interrupção, a falta do porto, a busca. Um outro, 13, Kinan, disse algo como: “Europa, não queremos vir para cá, nem lhe tomar nada. Mas queremos viver. Sobreviver à guerra. Buscar um porto.”  Penso que estas poderiam ter sido as palavras desse jovenzinho sírio. E de Aylan, se tivera aportado.

Para onde estou indo daqui afinal? Ao Encontro dos Amigos de e em Jornada.

Irmãos na intuição, companheiros na tarefa.

***

Amados,

face à tempestade, fugindo à guerra estúpida, num barco à deriva, em busca do porto. “Nós” a atar-me ao atracadouro; nas palavras e nos gestos, o estímulo, a esperança, os pontos de luz da teia, refazendo a trama, reforçando o tecido.

Vejo, recebo, percebo, farejo e reverbera em “meus bigodes” seu cuidado, sua compreensão, sua amizade.

Imobilizada e mobilizada pelo choque, atingida pelas perdas e pela inevitável – e necessária, curativa e merecida – solidão, respiro e descanso corpo e mente sob o halo curativo da Amizade e da Solidariedade. Tempo de hibernar. Na toca, meses em sua companhia.

Nas palavras, nos gestos, nas mãos que tem, visíveis e invisíveis, segurado as minhas, a força e o bálsamo para, passada a tempestade, prosseguir. A quente e amorosa presença da amizade e do gesto de auxílio resgatam, da praia, o “sonho de chegar” do menino, de todos os meninos.

Deixar o que ficou, buscar o que será.

Só (n)o Tempo.

Na tarefa e no amparo, com vocês.

Obrigada.

Anna.

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