LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR, ou “A MARCA DA BESTA & O ENCONTRO COM ELA”

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Estamos vivendo tempos conturbados e de convivência crescentemente prejudicada pela correria, pela lassidão dos valores, pelas divergências de toda ordem: políticas, sociais, familiares até.

Neste contexto, é cada vez mais comum observarmos um comportamento egoísta que, a despeito de espelhar os tempos e a conjuntura, é de uma perniciosidade perigosa. Destrói o tecido familiar e social, desagrega e incomoda.

Não tem sido raro nos depararmos com expressões assim: “impossível conversar com o Fulano”, “Cicrano está tão irascível que se tornou inacessível!” e por aí vai.

Jovens e crianças não encontrarão o verbete abaixo nos dicionários. Mas os adultos bem poderiam – e deveriam – esclarecê-los para que não reproduzam estes comportamentos que somos os primeiros a condenar.

Temos então nas entrelinhas deste verbete:

Ruído:

Falar da vida alheia. Se meter na vida alheia. Fazer insinuações sobre a vida alheia. Atrapalhar e prejudicar a felicidade de outras pessoas. Ser inconveniente. Ser inconveniente de propósito. Ser inconveniente para infelicitar ou debochar de alguém. Apontar o dedo para o erro do outro. Expor fragilidades e limitações do outro. Não enxergar em si próprio as fragilidades e limitações que aponta no outro e que o outro sequer tem. Se achar melhor do que o outro. Se comportar como um elefante numa cristaleira. Desrespeitar a presença e a palavra do outro. Roubar do outro a paciência, o silêncio, o sossego.

É claro que nos debates de idéias são apontadas as fragilidades e deficiências de homens e mulheres de função pública e erros e acertos de Governo, de Movimentos Sociais, das esferas pública e privada de notória participação na vida em sociedade; analisamos e criticamos os aspectos históricos, políticos e sociais, circunstância em que um certo “calor” é natural. Via de regra debatemos sob esta perspectiva.  Então, não misturemos as coisas.  O verbete diz respeito à convivência “civil”, nossa atuação no mundo como indivíduos, individualidades.

Nestes tempos de panelaços, bonecos infláveis e toda sorte de signos e símbolos espalhados à exaustão, poluindo e entupindo nossas vidas nem sempre de mensagens positivas, é preciso estar “atento e forte” para todo tipo de manipulação. E estando atento, mais facilmente nos poupamos de “leituras equivocadas” e da agressividade que campeia.  Muito ruído.

Este é um bom tema para as tardes no shopping com as crianças e jovens; além do cinema, pipoca e compras de fim de semana, um papinho na hora do lanche, entre um “zapzap” e outro. Quem sabe eles sejam capazes de represar e reverter a crescente falta de jeito para a convivência que é a marca dos nossos dias.

(*) “Livre pensar é só pensar”; emprestada ao Millôr

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